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Notas de rodapé
de Marina Jerusalinsky


em conversas com:


Consuelo Landivar
Marcos Felinto
Mariana Gil Rios
Enrique Traver
Api Abril
Federico Dopazo
Marcela Giorla
Maite Arias
Raiany Sinara
Augusty Cascales
Carmin Santos Posca
Fava da Silva

Catalina de Sanctis

Takeshirou Tanigawa

Nia Alexandria
Beta Azevedo
Lorre Yégo Motta
Alice Anayumi

Milu Almeida

Pacor

Nathalia Grilo


…………………………………………………………………………


Entender qué pasa cuando la gente come,
hay que hacerlo con hambre.
Una vez lo vi:
estaban afuera de si,
como una meditación carnivora.
Era muy humano.
Era muy animal.


Esto es lo más lindo de la cocina:
te da la bienvenida.


E retornar é importante.
Reencontrar o território,
as pessoas, a pesquisa.
Me reencontrar diante
de um memorial.
Intervir no espaço colonial.
Investigar a condição de criador de arte
e de uma criança.
Alimentar a paternidade
e a infância.
Enxergar as camadas
além dos processos criativos.
Estar nos bastidores
para desobrigar-se.
Viver a temporalidade
sem urgências.
Cuidar das pessoas negras
com escuta.
Sonhar
e entender o que se pode fazer com o sonho.
Depor as bandeiras
pra descobrir repertórios.
Criar intimidade
ao baixar os escudos.
Escutar o primeiro sonho
de uma filha.
Criar como forma
de sonhar acordado.


Pues los sueños curan,
alimentan, como la hamaca que es
a la vez red de pescar y red de soñar
durmiendo.
Sintomas para el psicoanálisis,
revelaciones para los griegos,
¿y qué son para los pueblos
de America Latina?
Los estoy colectando
para hablar del descanso,
crear una red
de pescar lo que soñamos
y mirar a los sueños
como lugar donde nos encontramos.


Toda tela es un palimpsesto
de vidas que no conozco.
Me gusta pensar
que nos unen a todos,
memoria colectiva
en la que me incorporo
al plasmar paisajes
filtradas por el cuerpo.
Volver al mundo del arte
fue lo que me dio la casa de mi abuela
como un regalo.
Después de mover la energia densa,
se volvió un vacio lienzo.
La hice mi estudio y me converti en pájaro
en dibujos hibridos
hombre-paisaje.
Asi fui libre para salir, volar
y ver más allá.
El miedo a conformarme,
establecerme en un lugar.
Una misión de explorar el mundo,
compartir el mio con otros
y volver al nido
para encontrar amparo.


Al final, todo el mundo quiere una casa.
¿Pero qué es una casa?
Pertenecer a algún lugar.
¿Pero qué es una casa?
Un dibujo esquematizado de niños.
¿Pero qué es una casa?
El cuento de la familia feliz.
¿Pero qué es una casa?
La propiedad privada.
¿Pero qué es una casa?
El desarraigo la vergüenza.
¿Pero qué es una casa?
La inmigración forzada.
¿Pero qué es una casa?
Algo que no construyo,
pero lo hago música
para buscar qué queremos
al querer una casa.


Uno elige una casa por cómo se la ve,
no por como suena.


En este mundo saturado de imágenes,
me conecto con el sonido
para entender algo
fatalmente inentendible.


El sonido de las piedras
dibujado en un papel.
Lo frágil y lo duro.
El dibujo es un lugar
donde me siento cómoda
e incómoda a la vez.


Dibujo piedras para sacar algo de adentro,
a ver dónde me llevan.
Sigo por lo que me dice el cuerpo,
y no me las saco de la cabeza.
No habia un por qué
hasta darme cuenta
de que mi padre se fue
cargando piedras.
Pero con las piedras no trabajo,
son más escusa que cosa.
El peso, la carga y la descarga,
el duelo, la herida que hermana:
una colección de inquietudes.


Hacerle un funeral a una piedra,
como a dejar aqui un propósito.


Creo que las piedras te escogen a ti,
aunque te creas
que una piedra te gusta al mirarla.
Creo que la voluntad de las piedras
por ahi seria moverse
y me puse a moverlas a otros lugares.
Creo que encajarse es una forma de lenguaje:
el lenguaje del cuerpo
de las piedras desplazadas.
Crei al llegar
que mis palabras no servian
de casi nada.
Que estaba en un enorme mar
y solo tenia
una red improvisada.
Me sentia rara para escribir,
entonces busqué
maneras de escuchar.
Fui a la cascada
y el lenguaje de las piedras me dijo
que podia mostrar a la gente quien soy
sin palabras.


Tocar violão aos quinze anos,
comprar um com o primeiro salário.
Aos vinte e cinco é agora ou nunca,
a responsabilidade da palavra.
Serenou de madrugada
é só o que minha mãe cantava.
Trazer apenas voz e flauta,
criar delicadeza com a palavra.
Pensar em como envelhecer
e viver com mais calma.
Ter coragem de fazer canções
como um rio que pode ser estrada.


Adentrar a paisagem.
Explorar o corpo em contato
com outras espécies
e o espaço.
Potencial erótico-sensivel
de experimentar relações,
fazer caminhadas
para encontrar vestigios,
desaparecer na paisagem
através das sensações.
Olhar pro cotidiano
como sucessão de rituais.
Criar o ritual
como o não instituido.
A ecossexualidade como desejo
de se encontrar no todo,
borrar a fronteira entre o eu e o entorno.
Anarquismo mistico,
O espelho das almas simples e aniquiladas
que permanecem somente no desejo do amor
é livro de uma mulher
queimada na fogueira
pela busca de um divino interior.


Una cartografia de mujeres viajeras:
los europeos decian que las mujeres indigenas trabajaban más que los hombres;
mi psicóloga dice que la tarea de mi vida es rescatar mujeres.


Con una prensa a un lado
y al otro un tubo de ensayo
creo encuentros
con lo que no cuentan los diarios
de expediciones borradas
por una historia sesgada.
Por un camino de luz y sombra
busco el tiempo
en que mi mamá usaba
un rulo de pelo.
En oscuros anticuarios
imagino a una mujer desconocida
al encontrar un relicario.
Lo veo igual en una naturaleza muerta
y en ese momento siento
cómo si me elevara.
Descubro plantas medicinales
y conocimientos ancestrales
de mujeres increibles,
con la certeza irrompible
de que no estoy sola.


Vivo viajando e trabalho com a andança.
Ela é andada, mas também é dança.
Caminho e deixo pegadas
como um ritual de chegada,
migrando sem saber
o que a gente leva e o que a gente deixa de ter.
Andança é o continuo da vida em espiral,
passar pelos mesmos lugares
e não ser mais igual.
Foi ela que fez de mim uma artista, afinal.

El dibujo por el dibujo, 
el dibujo que no me deja, 
el dibujo pregunta abierta 
que no requiere respuesta. 
Encontrarme en el dibujo  
a ver dónde me lleva 
el dibujar que sale del cuerpo 
en ritual de descubierta. 
Desvestirme de los mandatos 
y adentrar el bosque  
de sensaciones despiertas. 

Descubrir en cada semilla un bosque  
y en cada bosque, un mundo  
que a la vez se expande 
y ofrece cubierta. 

To be in harmony with nature, as we are part of it. 
Tuning the guitar of wellness to create as an artist. 
To be an outside artist, as I learn by myself 
nature’s ways of showing  
what I need to fulfill. 
Every child has their own talent 
and art can be good for something, 
but it is a challenge. 
Every child has their own passion 
that they should learn how to challenge, 
and art can be good for something. 
To connect body and soul 
after travelling across the world, 
learning to express myself. 
To find a way to spread my vibrations, 
be useful to the next generation, 
knowing that music has a lot of strength.,
but it is a challenge.  
But it is a passion.  
But it is a talent.

Sound touches everything in life
and singing is my medicine.
I find those little things I’m thankful for
when things get overwhelming
and there comes the song,
I play with my voice
and the birds respond,
I sing to the land
and poems come like a conversation,
I ask for permission to be heard
like an exchange of energy with nature.
Moving through music
like an experimentation
I find myself feeling
at ease.

 
Buscar no barro a conexão com o corpo:
impressão da mão, gesto e força.
Fazer algo que só existe em mim.
Entender os ciclos da água
os filtros da terra e dos rins.
Olhar pro corpo e perceber o que eu boto pra dentro
e o que eu deixo ir.
Meu corpo agora me traz a certeza
de que um ciclo precisa se fechar
e outro precisa se abrir.


O corpo hibrido.
Um homem chamado cavalo é meu nome.
É também uma fala da Estela do Patrocinio.
Ela não entendeu que estava sendo levada.
Ela foi tratada como um animal.
No meu bairro não tão urbano tem muito cavalo.
Os trabalhadores braçais usam as pernas dos cavalos para levar sua carga.
A ideia do cavalo apareceu no meio das estrelas.
Vi a constelação e senti medo e curiosidade e excitação.
O corpo do centauro é como a corporalidade transmasculina na rua.
Um touro numa loja de cerâmicas.
Quando a gente é cavalo, não é homem, nem mulher, nem trans.
É uma força animal que desafia o outro.
Eu carreguei esse cavalo por vinte anos.
Ele foi me alimentando e agora eu alimento ele, num ciclo.
O ciclo dos animais que é muito diferente do humano.
A performance é o meio entre o performer e a interpretação.
O cavalo é o meio do caminho entre o intérprete e a máscara.
Agora eu tenho duas ferraduras e um cavalo.


Uma estética dramática,
o auge das emoções.
A raiva
e tudo o que vem junto com ela.
A manualidade, as confecções.
Me afundar no processo
de transformar enredos.
Uma forma de me conectar
com minha criança
que gostava de desmontar
e remontar brinquedos.
Usar a teatralidade pra criar
e que ninguém mais me pergunte
por que eu não deixo
a coisa como tá.

Me incomoda o desperdicio da borra. 
Me deixem antes borrar a vida 
e antes de tudo, um café. 
Um bom dia 
pra encontrar eu mesma, 
saudar o depois 
na bebida escura
como a pele do corpo que engole 
a alegria de estar de pé.
Todo dia filtrar
cu pó e água
o ritual de transformar
um passado escravocrata. 
Não me incomoda a borra
que acumula fungos
porque prolifera vida
em desenhos que me inundam.


O quarto escuro e úmido interfere nas imagens
marca as falhas do acaso como margens
de um Brasil colonial imaginário
revelado pelo cafenol.
Aparecem as racha-duras
da lassidão feminina
e o que de mim escapa
no inconsciente que vaza
em memórias de familia.
A descoberta da avó paterna, que eu não conhecia
refeita no exercicio solitário da escrita.
A pergunta de uma criança
quando seu pai vai embora
agora mistura ficção e memória
e me reinventa
num romance. 

Juntar-me os pedaços
no vulnerável caminho
de fazer-me artista.
Uma filha,
a poesia,
o improviso,
a teoria.
Construir a linguagem
do afago e do sonho,
viver a realidade
de encarar o corpo.
Duas mulheres
velhas engraçadas
me abriram passagem
aos surrealistas
e sem saber 
de minhas ânsias inquietas
batizaram-me
uma poeta.

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