PRIMEIRA EDIÇAO | FIRST EDITION

A primeira edição "oficial" da residencia São João ocorreu em Julho de 2012. Treze pessoas vieram de diversos países (França, Alemanha, E.U.A., México, Argentina, Brasil, Chile e Colombia) para a residencia. Alguns diretamente de seus respectivos países para São José do Vale do Rio Preto, via aeroporto do Galeão.

 

Alguns dias após a correria das chegadas, Antonio apresentou as publicações que trouxe (muitos Zines e revistas independentes), reunimos doações, conversamos e instalamos uma biblioteca de referencia. Os residentes ocuparam pouco a pouco os vários espaços que disponibilizamos, de ateliers e escritórios à uma capela, e começaram a trabalhar em seus projetos artísticos pessoais. Samuel tirou tempo pra ler.



Uma lua cheia enorme apareceu no terceiro dia. Sob um luar que deixava a estrada de terra perfeitamente vísivel, fizemos uma caminhada noturna de 40 minutos até alcançar o lago, onde ficamos um tempo à cantar e à conversar. Nessas e outras fomos conhecendo nossos repertórios e trocando histórias.

 

Após a instalação de todos, o espaço da fazenda ficou basicamente organizado em 3 nichos: Sophia ocupou a casinha solitaria em cima da colina (que transformou num estúdio de gravação), Rodrigo, Eric, Antônio, Dagmar e Francisco instalaram-se num antigo estábulo convertido em Atelier, e os outros ficaram na casa principal.


 

Na casa principal criou-se uma mesa de desenho composta por Stefan, Maria, Paola e Flora. Samuel e Marriete começaram um projeto colaborativo, a banda BCBG, e se instalaram na sala-biblioteca para ensaiar. Ruli circulava pelos espaços acompanhando as diversas atividades em desenvolvimento, e escrevia textos teóricos sobre a dinâmica e o propósito de se estar e produzir em uma residência artística. Conversava à respeito com Rodrigo, que é professor de teoria da arte. Antonio fazia colagens, e visitava os moradores da fazenda no intuito de conhece-los melhor e entender o contexto social da fazenda.

Os residentes começaram aos poucos à circular pelos outros ambientes de trabalho, e paulatinamente foram se estabelecendo diversos intercâmbios e colaborações. Antonio e Sophia por exemplo faziam pinturas e colagens juntos, e Antonio fez um videoclipe para a Sofia em Super8.

A mesa de desenho parecia funcionar 24 horas e se alguém de fora sentava ali, logo surgiam desenhos colaborativos. Paola fez um desenho para o disco de Mariette e Samuel (BCBG), e realizou retratos de todos os residentes. Stefan dedicou-se à criação de uma história em quadrinhos, para a qual pediu colaborações aos outros residentes. Todos fizemos desenhos juntos para dar de presente à mariette em seu aniversário.

Entre outras atividades, dedicamos uma tarde à pintura de stencils sobre camiseta.

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Os moradores locais são extremamente reservados, até algo "acanhados", mas aos poucos começou a haver mais interação entre os residentes e os habitantes da fazenda, seja através de conversas, trocas de receita ou jogos de futebol.



No meio do mes, Zé Pedro (o administrador da fazenda) organizou uma festa junina com direito a sanfoneiro, cachorro quente e carrinho de pipoca. Foi interessante porque a festa aconteceu no gramado ao lado do estabulo onde se encontram os ateliers, e que também serviu de infra-estrutura para a festa. Varios artistas abriram os seus ateliers, foi uma noite de "portas abertas".  Muitas crianças juntaram-se à Maria para desenhar.  Eric juntou a criançada tambem, mas para fazer desenhos interativos. As crianças desenhavam num Pad, e viam seus desenhos projetados ao vivo. Foi uma forma lúdica de interagir com a comunidade local e de compartilhar uma possibilidade contemporanea de criação artística. As crianças foram muito receptivas, já a maioria dos adultos guardou certa distancia.

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Perto do final da residencia, organizamos uma noite com shows de Sophia, Mariette e Samuel na capela da fazenda, e convidamos os moradores locais para juntar-se à nós. Preparamos cachorro quente, oferecemos guaraná e cerveja. Foi muito lindo ver o genuíno interesse geral, e perceber que a barreira entre nós e os locais havia diminuido. Queremos ao longo das próximas edições cada vez mais estreitar essa relação.

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Por vezes, sentavamos após o entardecer para ouvir Sophia tocar violão e cantar. Houveram sessões de Taro e de leitura de mãos. De manhã alguns banhavam-se na pequena cachoeira que há perto da sede. 

No intuito de interagir com a natureza, fomos até Petrópolis de onde fizemos uma trilha para subir os morros Cobiçado e Ventania, no Parque Nacional da Serra dos Orgãos. Foi puxado, mas valeu a pena chegar no topo da serra do mar e avistar a Baia de Guanabara!

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Recebemos alguns dias antes do fim a visita de Manú e Dácio, que documentaram extensivamente a residencia em video, e que gravaram junto com Antonio um videoclipe para a banda BCBG. Dacio também apresentou alguns de seus curta-metragens.

Na quarta semana, em companhia de nossos visitantes, organizamos dois dias de percursos pelos ateliers, para conhecer e discutir o trabalho e processo criativo de cada um. Sophia mostrou como funciona a gravação de suas músicas em "layers", tocando os diferentes instrumentos que compõem cada camada sonora. Francisco nos mostrou suas esculturas em miniatura, e contou-nos sobre o pensamento ecológico e político que o motiva a criar figuras hibridas, como submarinos militares com pernas de animais. Flora mostrou um pouco do seu processo e portifolio, e a série de desenhos que estava desenvolvendo naquele momento. Dagmar mostrou seus cadernos de desenho e colagem. Antonio mostrou a instalação que fez no estábulo apropriando-se de livros antigos que encontrou no depósito da fazenda, conversamos um pouco sobre a instalação e ele mostrou algumas de suas publicações. Mariette e Samuel mostraram as músicas em que estavam trabalhando e compartilharam gravações de seus projetos solo. Ruli fez uma sessão de leitura.  



​Terminamos pela visita ao Rodrigo, que trabalhou à partir de um contrato original de venda de escravo, documento histórico encontrado na biblioteca da fazenda. Ele construiu uma escultura de 2-3 metros de altura calcada no desenho representando o escravo, utilizando bambu e sacos de café, e a fixou como um outdoor no alto de um morro. Na escultura, o escravo se encontra "caminhando" para fora da fazenda, como se estivesse enfim libertando-se. Todos os residentes ajudaram na montagem da escultura, quecoincidiu com o último por-do-sol que alí vimos.



Para dar continuidade aos intercambios e colaborações que começamos na fazenda, criamos um coletivo chamado REPETITITS, do qual participam todos os residentes. REPETITITS é uma plataforma para a criação de obras coletivas, à partir de determinadas instruções e propostas. Repetitits expos no Dumbo Arts Center no Brooklyn, na Neon Chocolate Gallery em Berlim e no Hangarnekoe em Santiago do Chile.

Mais imagens aqui!

Um vídeo filmado e editado por Maria Luque ! | Video shot and edited by Maria Luque !

A casa, por Dácio Pinheiro | The House, by Dácio Pinheiro

Clique e confira alguns resultados produzidos durante a residência

ANTONIO SOBRAL

Um dos organizadores da residência, desenvolveu uma instalação que pode ser vista aqui.

Outros resultados e desdobramentos podem ser vistos em seu site.

Confira seu texto sobre a experiência aqui.







ERIC MARCOWSKI

Fez de um dos estábulos seu ateliê de pintura, onde desenvolveu algumas séries, em parceria com seu amigo Federico, que podem ser vistas em seu site pessoal, nos seguintes links:

Residencia Facenda Sao Joao III

Residencia Facenda Sao Joao IV 



FLORA REBOLLO

Uma das organizadoras da Residência, trabalhou na série SAIAS - parte da série Cortina Vermelha, além de registrar fotograficamente a edição.

FRANCISCO RUSSO

Deu continuidade à série de objetos Bio Transporte, que vem desenvolvendo há alguns anos.

MARIA LUQUE

Alocada na drawing table con Stefan, Flora e Paola, criou diversas séries de desenhos.

Alguns resultados podem ser vistos aqui.





MARIETTE AUVRAY

​Mariette criou novas composições para seu projeto pessoal Water Sark,  e estabeleceu uma parceria com Samuel Trifot, no duo BCBG.

Também realizou uma entrevista com powerpaola, que foi publicada aqui.

Leia seu Statement sobre a experiência.

RODRIGO ORTEGA

Desenvolveu um projeto de instalação específico para a localidade da fazenda, mobilizando um documento histórico encontrado na biblioteca. O processo de instalação pode ser visto neste vídeo.

RULI MORETTI

Uma das organizadoras da residência, escreveu sobre as dinâmicas internas da edição, assim como sobre os processos de criação dos residentes, integrando seu processo de pesquisa "In loco: Diálogos Crítico-Colaborativos".

PAOLA GAVIRIA

Seu projeto principal foi integrar a experiência na Residência ao livro Diário Visual de powerpaola, que foi lançado no mês de março de 2013.

 

Também trabalhou na série Abstractos, e concedeu uma entrevista à Mariette, que pode ser vista aqui.



STEFAN FÄHLER

Trabalhou no desenvolvimento de um livro que será lançado este ano, pela Bookworm.

Link pro seu Statement.

SOPHIA KNAPP

Trabalhou fazendo os arranjos, gravação e mixagem de seu novo álbum.

Assista à studio visit, na qual ela fala sobre seu processo de criação e trabalho.

Videoclip da música Evermore ,de Antonio Sobral e câmeras adicionais de Manu e Dácio.

SAMUEL TRIFOT

Trabalhou em seu projeto pessoal kikiilimikilii, e no duo BCBG.

DAGMAR BROWN

Durante sua estadia na residência, tirou fotografias em câmeras descartáveis e trabalhou em seus "livros de artista".

BCBG

O duo, formado por Mariette e Samuel, compôs algumas das canções que integrarão o primeiro EP a ser lançado pela Hybridity.

Visite o site.

Assista ao clipe da música Sailor's Wife, produzido por Antonio Sobral, Dácio Pinheiro e Manu Sobral.

REPETITITS

O grupo de residentes decidiu formar um Coletivo Artístico Intercontinental, que até agora já exibiu em NY, Berlin e Santiago do Chile.

Link para o site.

MANU SOBRAL & DACIO PINHEIRO

Manu Sobral e Dácio Pinheiro passaram quatro dias na última semana da residência, e vieram com o propósito, tanto de registrar as atividades da semana - como as studio visits -  quanto de experimentar e criar seus próprios vídeos, alguns deles em parceria com os demais residentes.

FEDERICO

Federico é amigo do Eric Markowski, e veio ajudá-lo com seu trabalho. Federico faz colagem, gosta de arte, colabora com artistas, mas se sentia acanhado pelo sistema de produção e exibição de arte, e tinha certo orgulho em dizer que "não era artista".  Na residência, teve a oportunidade de se dedicar à prática artística, e a interagir com pessoas e expressões diversas. No contexto amigável e cooperativo em que todos se inspiravam mutuamente e se conheciam como pessoas, juntos e para além do trabalho, Federico não viu mais razão para tratar a "arte" com distância, respeito ou medo.

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