Flora Himmelstein Leite (São Paulo, 1988)

 

É artista e vive e trabalha em São Paulo. Dona de um humor ácido e urbano que encantava seus colegas já pela manhã, destilado em meio a cigarros e cafés, Flora plantou na residência sua primeira árvore. Ela realizou aí dois projetos investigativos que resultaram em esculturas e gravuras concebidas e realizadas em lugares específicos. Após explorar antigas imagens, pinturas e arquivos da biblioteca de referência da Residência, ela esculpiu em barro o relevo de uma seção de uma parede de pedras supostamente remanescentes da antiga senzala. As formas escultóricas obtidas foram então exibidas na casa colonial, contrastando com a sua delicada decoração de porcelana, e estabelecendo um diálogo tenso entre temporalidades e ambientes, marcado pela memória da escravidão. Seu segundo projeto partiu de uma gravura encontrada em um livro, representando o zênite do “novo mundo” segundo o navegador Americo Vespucio em sua primeira viagem ao continente batizado em seu nome. Elemento central de orientação, esse era representando por uma linha reta conectando cada ser humano a um ponto específico da abóbada celeste — e, segundo a ainda polêmica teoria do “globo” terrestre, deduzia-se que os indivíduos no hemisfério sul teriam um zênite diferente dos habitantes da Europa (o zênite “deles” oposto ao “nosso”). Ao gravar esse desenho no terraço descoberto de seu ateliê, a artista nos lembra as premissas, tão científicas quanto ideológicas, que serviram de base para nossa história colonial, assim como nos convida a tomar posição no centro do desenho e olhar para o céu, imaginando o nosso próprio zênite.

 

Is an artist who lives and works in São Paulo. Owner of an acid and urban humor that charmed her colleagues already in the morning, distilled in the midst of cigarettes and coffee, Flora planted in the residency her first tree. She held two investigative projects that resulted in sculptures and engravings designed and implemented in specific sites. After exploring old pictures, paintings and archives of the Residency reference library, she sculpted in clay the bas-relief of a section of a stone wall supposedly remnant of the old slave quarters. The sculptural forms obtained were then displayed inside colonial house, contrasting with its delicate porcelain decoration, establishing thus a tense dialogue between temporalities and environments, marked by the memory of slavery. Her second project also started from a picture found in a book, representing the zenith of the "new world" according to explorer Americo Vespucio on his first trip to the continent baptized with his name. Central element of guidance, that was represented by a straight line connecting each human being to a specific point in the sky - and, according to the then controversial theory of the earth "globe", it is deduced that individuals in the southern hemisphere would have a different zenith from the inhabitants of Europe ("their" zenith as opposite to "our"). When recording this drawing on the outdoor terrace of his studio, the artist reminds us of the premises, both scientific and ideological, which constituted the basis for our colonial history, and invites us to take a stand in the center of the design and look at the sky, looking for our own zenith.

 

Para ver mais de seu trabalho // To see more of her work: http://cargocollective.com/floraleite & http://floraleite.tumblr.com/

 

 

 

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Zênite nosso, Zênite deles, by Flora Himmelstein Moreira Leite

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